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Miguel Sanches realizou um estudo para caracterizar o mercado de Print Production (ou Professional Printing) em Portugal e acaba de publicar um documento com a metodologia e o resultado. Falámos a propósito dos objetivos e das principais conclusões.

Miguel Sanches (2018)Miguel Sanches

 

Quando surgiu a ideia de fazer o estudo e porquê?

A ideia já vinha a ser maturada há algum tempo e acabou por se materializar nos últimos meses. Tendo no meu percurso profissional passado pelas vendas de equipamentos de PP, pareceu-me importante refletir sobre o modo como os fabricantes deste tipo de equipamentos se apresentam junto da indústria gráfica portuguesa, numa altura em que esta tecnologia já não é observada com desconfiança, mas sim como um aliado imprescindível nos negócios.


Quais as principais dificuldades obstáculos no processo?

Tratando-se de um estudo de caracterização, o fator crucial é o tempo. Sabendo à partida que estávamos dependentes das respostas dos principais players neste mercado, não fazia sentido propormo-nos a efetuar uma tarefa destas e apresentar resultados passado seis meses.

Assim a principal dificuldade foi mesmo garantir, num curto espaço de tempo (cerca de um mês), que os fornecedores deste tipo de equipamentos disponibilizassem os dados necessários à elaboração deste estudo.

Todas as marcas selecionadas se mostraram disponíveis para o fazer, no entanto, apenas cinco delas o conseguiram fazer atempadamente. De qualquer forma, pareceu-nos que a amostra recolhida consegue espelhar aquilo que se passa no mercado gráfico nacional.

O que surpreendeu?

Apesar da perceção de quem acompanha esta área de negócio ser a de que existem três grandes players neste mercado, surpreenderam-me os valores envolvidos. Quer a Xerox, a Konica Minolta e a HP indicam que o volume de negócios na venda de equipamentos da gama PP em Portugal é superior a 3000k€, acrescida de mais de 2000k€ em serviços associados.

Isto demonstra, de facto, a grande taxa de aceitação deste tipo de equipamentos na indústria gráfica, uma vez que todos os respondentes ao inquérito indicam esta indústria como a principal destinatária de equipamentos PP.

Que resumo faz das principais conclusões?

Ao longo da análise efetuada, percebe-se que cada um dos fabricantes apresenta posicionamento de vendas, atuação geográfica, apoio ao cliente, volumes de faturação e soluções diferentes. O portfólio de cada um é desenhado de forma a responder ao seu mercado alvo, o que resulta numa variedade bastante alargada de soluções propostas no mercado nacional.

Nem todos os equipamentos disponíveis serão certamente adaptados à realidade portuguesa e isso é visível no volume de vendas quase inexistente de soluções de impressão de gama alta com elevado volume de produção.

No entanto, e atendendo à reduzida dimensão do mercado gráfico nacional, os números acabam por surpreender, principalmente pela capacidade de adoção de novas tecnologias na área da impressão digital, apesar de concentradas nas ofertas de entrada de gama e gama média.

O estudo vai ser publicado em formato físico?

Tendo em conta o caráter efémero da análise, baseada no facto de o objeto analisado estar em constante evolução, não nos pareceu viável transformar este produto num documento impresso.

Optámos pela criação de um documento digital, de acesso livre que todos os interessados possam consultar. Esta opção poderá também vir a facilitar a atualização do documento (caso venham a existir novas informações), ou à edição de outros relatórios que retratem, por exemplo, a situação daqui a um ano. 

 

Que outras considerações são relevantes sobre o processo ou o resultado?

Apesar de o propósito inicial na produção do estudo não fosse perceber o impacto da pandemia neste ramo de negócio, tornou-se inevitável perceber o que os fabricantes destas tecnologias antecipam nos próximos tempos.

De uma forma geral são esperados crescimentos, ainda que residuais. No entanto, quer a Xerox quer a HP são menos otimistas e registam que esperam perdas significativas para o próximo ano.

 

Aceda ao estudo completo.

 

Sobre o autor

 O currículo de Miguel Sanches é extenso. Doutorado em Design pela Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa, tem experiência prática em artes gráficas, tendo passado por áreas de orçamentação, gestão da produção, formação e vendas.

A partir de 2008, passa a lecionar no curso de licenciatura em Design e Tecnologia das Artes Gráficas do Instituto Politécnico de Tomar (IPT), tendo dirigido a licenciatura entre 2017 e 2019.

Coordena o ARTEC – Simpósio de Design e Artes Gráficas e a edição da Revista i.E. Desde 2012, faz parte da comissão organizadora da CIDAG – Conferência Internacional em Design e Artes Gráficas, realizada a cada dois anos em parceria entre o IPT e o ISEC Lisboa.

Além de ser membro do CIAUD – Centro de Investigação em Arquitetura, Urbanismo e Design e do TGRAF – Centro Internacional de Estudos e Investigação em Tecnologias Gráficas e Comunicação Científica, participa regularmente em eventos técnicos e científicos nas áreas do design e da produção gráfica. Tem sido também elemento do júri no concurso anual de qualidade gráfica, os Papies.