s ataques russos contra infraestruturas ucranianas têm provocado perdas crescentes no setor gráfico e editorial do país, com gráficas, armazéns de editoras e pontos de venda de livros entre os alvos atingidos nos últimos meses.

As estimativas divulgadas no final de agosto apontam para cerca de 12 milhões de livros destruídos.

Um dos casos mais relevantes ocorreu na noite de 19 de julho, quando um míssil balístico russo atingiu as instalações da Konvi Group, nos arredores de Kiev, uma das empresas responsáveis pela impressão de manuais escolares. O ataque destruiu áreas de produção e equipamentos de impressão e acabamento e provocou a perda de perto de 250 mil manuais já impressos. Não foram registados feridos entre os trabalhadores.

A empresa preparava-se para produzir cerca de 1,3 milhões de livros escolares, o equivalente a aproximadamente 10% das necessidades do país para o novo ano letivo. Viktoriia Haidai, diretora comercial da Konvi, considera que a destruição da infraestrutura editorial não é acidental e insere-se numa tentativa de atingir a cultura e identidade ucranianas.

O impacto estende-se a outras empresas. Um ataque a 1 de agosto destruiu cerca de oito milhões de livros num centro logístico da editora Ranok, em Kharkiv. O Ukrainian Book Institute estimou que as perdas recentes representam uma parte significativa da produção anual de livros do país e apelou ao apoio internacional ao setor.

O mercado livreiro de Pochaina, em Kiev, foi atingido a 16 de agosto. O ataque provocou um incêndio que destruiu várias filas de bancas e respetivos stocks de livros, num espaço que constitui um dos principais centros de comércio livreiro da capital ucraniana.

A destruição não se tem limitado à indústria editorial. A UNESCO confirmou danos significativos no conjunto histórico do Mosteiro das Grutas de Kiev, classificado como Património Mundial, após um ataque com drones em junho. Mais de 80% da cobertura da Catedral da Dormição sofreu danos, além de outros elementos estruturais.