Santa Maria da Feira recebe, entre 25 e 27 de setembro, a primeira edição do Miolo, um festival literário que pretende cruzar a literatura com áreas como filosofia, política, sociologia, ciência, música e design. O programa decorrerá na Biblioteca Municipal, com entrada livre mediante reserva prévia para cada sessão.
Inspirado no mote “Do interior do livro ao interior do pensamento”, o novo festival parte da literatura para promover reflexão e debate em torno de temas contemporâneos, afastando-se de um modelo centrado exclusivamente na apresentação ou promoção editorial de livros.
“O Miolo nasce da convicção de que uma política cultural deve também criar tempo e espaço para pensar”, afirmou Paulo Marcelo, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Santa Maria da Feira.
“A literatura é o ponto de partida porque permite entrar no labirinto do pensamento humano, permanecer numa pergunta e aproximar ideias que habitualmente surgem separadas – mas queremos que Santa Maria da Feira tenha um encontro onde a literatura abre espaço às perguntas da ciência, da filosofia e da política, e às formas do design e da música”, acrescentou.
Entre os primeiros nomes confirmados encontram-se a urbanista e promotora cultural norueguesa Anne Beate Hovind, a escritora espanhola Clara Usón e o designer e ilustrador espanhol Isidro Ferrer. Do lado português, participarão, entre outros, Adolfo Mesquita Nunes, Joana Bértholo e Gonçalo M. Tavares.
Design e criação visual integram programa
A presença de Isidro Ferrer reforça a componente dedicada ao design e à comunicação visual. O criador espanhol desenvolve trabalho entre o design gráfico, ilustração, poesia visual e objeto escultórico, num percurso que cruza diferentes linguagens e suportes.
Anne Beate Hovind tem desenvolvido projetos situados na interseção entre cultura, arquitetura, narrativa e espaço público. A urbanista é curadora e produtora da “Future Library 2014-2114”, projeto concebido pela artista Katie Paterson que prevê recolher um manuscrito inédito por ano durante um século, para publicação conjunta em 2114.
A organização pretende que esta diversidade de percursos contribua para colocar em diálogo diferentes áreas do conhecimento e da criação. “Será um programa de pensamento e debate a partir de temas literários e da atualidade. Não seguirá uma lógica comercial editorial clássica; prossegue uma visão de pluralidade de visões e debate”, explicou Paulo Marcelo.
Três dias organizados em torno de “dar forma”, “pensar” e “narrar”
O programa do Miolo será estruturado em três “movimentos”. O primeiro dia, 25 de setembro, terá como tema “dar forma” e abordará o percurso entre o nascimento de uma ideia e a sua materialização através da linguagem, imagem ou matéria.
No dia 26, o eixo “pensar” será dedicado à reflexão sobre a atualidade e às transformações sociais, políticas e culturais do presente. O último dia, 27 de setembro, ficará reservado a “narrar”, com regresso à literatura enquanto instrumento de memória, questionamento e construção de futuros possíveis.
Além das conversas e debates, o cartaz deverá incluir exposições, espetáculos e atividades de mediação destinadas a diferentes gerações e públicos com diferentes relações com a leitura.
A programação completa ainda está a ser ultimada. As reservas individuais para as sessões deverão abrir no início de setembro.