A economia mundial deverá crescer 2,4% em 2026, abaixo dos 3% registados em 2025, antes de acelerar para 3,1% em 2027. A previsão consta do mais recente Atradius Economic Outlook, divulgado pela Crédito y Caución.

O cenário central do relatório parte do princípio de que o cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão se manterá e de que a circulação marítima no Estreito de Ormuz será gradualmente restabelecida. A evolução deverá aliviar a pressão sobre os preços da energia e limitar o impacto do conflito na atividade económica.

“Embora o conflito no Irão tenha elevado os custos energéticos e provocado um ligeiro choque de estagflação, a temida espiral de estagflação provavelmente será evitada enquanto o frágil acordo de cessar-fogo entre os Estados Unidos e o Irão se mantiver”, afirmou John Lorié, economista-chefe da Atradius Crédito y Caución.

O investimento em tecnologia e inteligência artificial surge como um dos principais fatores de suporte da economia mundial. As despesas com centros de dados, fabrico de semicondutores, infraestruturas de cloud e tecnologias associadas continuam a impulsionar a atividade, sobretudo nos Estados Unidos.

O comércio ligado à inteligência artificial mantém-se também entre os motores das trocas internacionais. Ainda assim, o comércio global deverá perder dinamismo, depois de um desempenho em 2025 superior ao esperado.

O aumento dos custos energéticos, o enfraquecimento da procura de importações e a incerteza em torno das políticas comerciais deverão limitar o crescimento do comércio mundial a menos de 2% em 2026. Para 2027, a Crédito y Caución antecipa uma recuperação para cerca de 3%.

Bancos centrais seguem estratégias diferentes

O impacto desigual da crise energética está a levar os principais bancos centrais a adotar respostas distintas. O Banco Central Europeu aumentou as taxas de juro para conter a inflação, enquanto a Reserva Federal norte-americana deverá mantê-las elevadas durante mais tempo e adiar o início do ciclo de flexibilização monetária.

Na China, a política monetária deverá permanecer moderadamente expansionista, procurando apoiar a procura interna.

Os riscos para as perspetivas económicas continuam inclinados em sentido negativo. A principal ameaça identificada no relatório é um eventual recomeço dos combates entre os Estados Unidos e o Irão, acompanhado pelo prolongamento do encerramento do Estreito de Ormuz.

Num cenário adverso, em que a passagem marítima permanecesse maioritariamente bloqueada até ao quarto trimestre de 2026 e outras rotas fossem igualmente ameaçadas, os preços da energia voltariam a subir de forma acentuada.

Nesse contexto, o crescimento do PIB mundial poderia descer para 1,9% em 2026 e 1,4% em 2027, níveis considerados recessivos pela Crédito y Caución. As principais economias avançadas, incluindo os Estados Unidos, entrariam em recessão.

A evolução da economia global dependerá, por isso, da duração do cessar-fogo e da rapidez com que forem normalizados os fluxos energéticos e o transporte marítimo através do Estreito de Ormuz.