A Ancor notificou a Autoridade da Concorrência da aquisição do controlo exclusivo da Ambar, operação que prevê a compra da totalidade do capital social da histórica marca portuguesa de papelaria.
O processo foi formalmente comunicado ao regulador em 10 de julho, não tendo sido divulgado o valor da transação.
Com sede em Vila do Conde, a Ancor é liderada por Francisco Correia e detida pela família Correia. A empresa dedica-se ao fabrico de artigos de papelaria e embalagens, produzindo marcas próprias e referências destinadas a insígnias de terceiros.
A eventual integração da Ambar permitirá à fabricante acrescentar ao seu portefólio uma marca fundada em 1939 e com uma presença histórica nos segmentos do material escolar, papelaria, escritório e marroquinaria.
A Ancor foi fundada há 54 anos, no Porto, como uma oficina dedicada ao fabrico de produtos de arquivo. A principal unidade industrial está atualmente localizada em Guilhabreu, no concelho de Vila do Conde e emprega cerca de 140 pessoas.
A empresa produz cerca de 30 milhões de artigos por ano, distribuídos através de grossistas, retalhistas especializados e cadeias da distribuição moderna. O portefólio inclui as marcas Ancor, B’log e Smooth, além da produção para marcas de terceiros.
O material escolar representa atualmente o principal segmento de atividade, embora a produção continue a incluir artigos de escritório e soluções de arquivo.
Em 2018, a Ancor entrou também no setor das embalagens, através da criação de uma unidade industrial com dois mil metros quadrados. Esta operação está orientada para soluções destinadas a produtos de maior valor acrescentado, incluindo vinhos, calçado, jogos e equipamentos eletrónicos.
O grupo emprega perto de 140 pessoas e integra ainda uma empresa gráfica e uma sociedade dedicada ao desenvolvimento das coleções.
Francisco Correia
Ambar foi recuperada após dificuldades financeiras
Fundada no Porto por Américo Barbosa, a Ambar dedica-se ao desenvolvimento, fabrico e comercialização de artigos de papelaria, material escolar e de escritório, bem como de produtos de marroquinaria.
Nos períodos de maior atividade, a empresa chegou a registar uma faturação superior a 30 milhões de euros. Atualmente, mantém uma presença mais limitada no retalho físico, através de uma loja em Barcelos, e no comércio eletrónico.
A empresa esteve perto da insolvência em 2013, tendo sido recuperada no ano seguinte pelos empresários José Costa, ligado à Coscelos, e José Manuel Ferreira, do grupo têxtil Valérius. Cada investidor passou então a deter metade do capital.
Entre os projetos desenvolvidos pela marca encontra-se a Ambar Science, uma gama de brinquedos científicos e pedagógicos criada com a chancela da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto.
A concretização da operação permanece dependente da análise da Autoridade da Concorrência. Caso seja aprovada, a Ancor passará a controlar uma das marcas portuguesas mais antigas e reconhecidas no mercado da papelaria e do material escolar.