A Konica Minolta apresentou, a 13 de outubro, no Porto, a AccurioPress C5070, uma nova máquina de impressão digital que integra sistemas automáticos de controlo de qualidade, gestão de cor e deteção de falhas.
A empresa pretende responder aos desafios de produtividade das gráficas, num mercado cada vez mais pressionado pela necessidade de produzir pequenas tiragens, reduzir desperdícios e encontrar profissionais qualificados.
A automatização dos processos de impressão esteve no centro da apresentação oficial, em Portugal, da nova Konica Minolta AccurioPress C5070, realizada no Crowne Plaza Porto. A marca japonesa procura disponibilizar uma solução que permita às empresas gráficas controlar melhor a produção, reduzir intervenções manuais e garantir maior consistência nos trabalhos entregues aos clientes.
A nova máquina integra a gama de equipamentos de produção a cores da marca e foi concebida para responder, sobretudo, às necessidades de gráficas com pequenas e médias tiragens. A tecnologia permite trabalhar com diferentes suportes, até 360 gramas por metro quadrado, e imprimir folhas de grande formato, com comprimentos até 1300 milímetros numa só face e 900 milímetros em frente e verso.
Entre as principais novidades estão os sensores que identificam características do papel, os sistemas de controlo de cor e os mecanismos de inspeção automática que analisam as folhas durante a impressão. A solução permite detetar determinados defeitos e encaminhar as folhas que não cumprem os critérios de qualidade para uma unidade de rejeição, sem obrigar à interrupção de toda a produção.
A apresentação contou com Francisco André, gestor de produto de Professional and Industrial Printing da Konica Minolta, e Ivan Aguilar, responsável pelas vendas e pelo desenvolvimento de negócio da área de produção. Ao longo da sessão, os dois representantes explicaram de que forma a automatização pode alterar o trabalho quotidiano das gráficas e enquadraram o lançamento numa transformação mais ampla do mercado.
Francisco André e Ivan Aguilar (© Arquivo / doPAPEL)
“O operador invisível” como resposta aos desafios das gráficas
O que representa a chegada da AccurioPress C5070 ao mercado português?
Francisco André: A apresentação no Porto está relacionada com a estratégia da Konica Minolta para o mercado português. Uma parte significativa do mercado de impressão industrial e de produção encontra-se nesta região, pelo que queremos descentralizar a apresentação das nossas soluções e realizar outros eventos em diferentes localizações do país. Este equipamento representa um avanço importante na impressão de produção, porque integra várias soluções de automatização. É aquilo a que chamamos o “operador invisível”, uma tecnologia que reduz a curva de aprendizagem e permite automatizar uma parte significativa do trabalho quotidiano.
A quem se destina este equipamento?
FA: Estamos a apresentar a C5070, mas existe uma família de três equipamentos, pensada para diferentes perfis de clientes. A AccurioPrint C5065 destina-se a empresas que pretendem dar os primeiros passos na impressão digital de produção. A C5070 responde às necessidades de gráficas já estabelecidas, com pequenas e médias tiragens, enquanto a C5080 está orientada para operações de maior dimensão e intensidade produtiva. A ideia é disponibilizar soluções adequadas às necessidades de cada empresa.
A velocidade anunciada mantém-se nas 71 páginas A4 por minuto. Onde está, então, o principal ganho de produtividade?
FA: O ganho está sobretudo na diminuição do desperdício e do tempo perdido com ajustes manuais. Uma folha pode sair mal impressa, o papel pode ter dimensões diferentes das esperadas ou pode surgir um defeito durante a produção. Este equipamento consegue identificar várias destas situações e encaminhar as folhas com problemas para a unidade de rejeição, continuando a imprimir. A análise é feita folha a folha, o que permite reduzir a necessidade de retificar trabalhos, voltar a imprimir e gastar mais papel e tempo de operação.
De que forma é garantida a consistência da impressão ao longo do tempo?
FA: Introduzimos duas unidades de deteção que complementam o sistema de controlo de qualidade já conhecido da marca. Através de scanners profissionais e de sensores, o equipamento analisa o que está a ser impresso e verifica características como as dimensões, a gramagem e o tipo de papel. Com esta informação, consegue ajustar automaticamente determinados parâmetros. O objetivo é garantir que aquilo que imprimimos hoje possa ser reproduzido daqui a uma semana ou dois meses com a mesma consistência, sem que seja necessário repetir todo o processo de afinação.
A automatização permite também reduzir o tempo de formação dos operadores?
FA: Sim. Os nossos equipamentos são concebidos para serem fáceis de utilizar, mas esta solução reduz ainda mais a curva de aprendizagem. Com cerca de dois dias de formação prática, os operadores poderão trabalhar com a máquina sem grandes constrangimentos. Isso é particularmente relevante num setor em que existe dificuldade em encontrar mão de obra especializada.

Sensores, inteligência artificial e controlo de qualidade
Se Francisco André enquadrou a máquina do ponto de vista da estratégia de produto e da produtividade, Ivan Aguilar aprofundou os mecanismos técnicos que permitem automatizar diferentes etapas do processo. A solução combina sensores de leitura do papel, controlo de cor e ferramentas de inspeção, com o objetivo de diminuir a dependência de verificações manuais.
Como funcionam estes mecanismos de controlo durante a impressão?
Ivan Aguilar: Antes do papel entrar na fase de impressão, os sensores analisam características como a humidade, a gramagem e o tipo de suporte. O sistema utiliza essa informação para ajustar automaticamente parâmetros, incluindo a quantidade de toner e a temperatura aplicada. Desta forma, consegue adaptar o processo às características do papel e contribuir para uma impressão mais consistente.
E como é feita a deteção de falhas nas folhas impressas?
IA: Temos dois scanners de alta velocidade e alta resolução, apoiados por um espectrómetro, que permitem analisar a impressão. O sistema acompanha a densidade e a consistência da cor, compara os resultados com os parâmetros definidos e ajusta-se automaticamente quando necessário. Também consegue identificar determinados defeitos e separar as folhas que não têm a qualidade exigida daquelas que estão prontas para serem entregues ao cliente. A inspeção deixa, assim, de depender exclusivamente da observação manual do operador.
Que importância tem esta tecnologia para a rentabilidade das empresas?
IA: O objetivo é reduzir o peso dos desperdícios e dos custos associados às reimpressões. Quando uma gráfica produz milhares de folhas, não é viável verificar manualmente cada uma delas. Muitas vezes, o operador analisa algumas amostras e espera que o restante trabalho mantenha a qualidade. Com esta solução, conseguimos acompanhar a produção e identificar problemas durante o processo. No final, a empresa pode perceber melhor o que foi produzido, quais as folhas rejeitadas e onde se encontram as perdas.
A assistência técnica também beneficia desta automatização?
IA: Sim. O sistema pode gerar relatórios que ajudam a identificar problemas e a orientar a assistência técnica. Mediante autorização do cliente, as equipas de suporte podem realizar determinadas verificações remotamente e avaliar o estado do equipamento. O objetivo é evoluir de uma assistência essencialmente reativa para um acompanhamento mais proativo, reduzindo o tempo em que a máquina está indisponível.
Pequenas tiragens impulsionam a transição para o digital
Para além das características técnicas da AccurioPress C5070, o lançamento serviu para analisar a evolução do mercado nacional. Segundo Ivan Aguilar, a impressão digital de produção tem vindo a ganhar espaço, acompanhando as alterações nas encomendas e as dificuldades sentidas por algumas empresas tradicionais.
A apresentação da AccurioPress C5070 decorreu num momento em que a impressão digital procura consolidar o seu papel na produção gráfica. Embora a Konica Minolta ainda não disponha de dados nacionais consolidados que permitam quantificar os ganhos de eficiência da nova máquina, a empresa aponta a redução do desperdício, a consistência da cor e a automatização dos controlos como fatores centrais da solução. O desafio passa agora por demonstrar esses benefícios na operação quotidiana das gráficas e tornar o investimento compatível com as diferentes dimensões e necessidades do setor.
Como está a evoluir o investimento em impressão digital de produção em Portugal?
IA: O mercado continua a apresentar uma evolução positiva, embora moderada, de ano para ano. Até 2024, observávamos sinais de retração, mas temos sentido um crescimento no número de unidades vendidas e uma deslocação da procura para os segmentos de média e alta produção. O segmento de entrada continua a existir, mas algumas empresas deixam de conseguir acompanhar a evolução tecnológica e acabam por encerrar a atividade. Parte da produção transita, depois, para empresas mais preparadas, que investem em equipamentos com maior capacidade.
Que fatores estão a levar as gráficas a investir em impressão digital?
IA: O mercado pede, cada vez mais, pequenas tiragens, com quantidades reduzidas e prazos de resposta curtos. Uma gráfica que trabalha sobretudo com sistemas convencionais, pensados para grandes volumes, pode encontrar dificuldades quando recebe muitos trabalhos pequenos, porque estes acabam por ocupar a capacidade produtiva disponível. A impressão digital permite dar resposta a essas encomendas com maior flexibilidade. As empresas podem manter a impressão convencional para grandes produções e utilizar a tecnologia digital para trabalhos mais curtos, sem terem de recorrer tanto à subcontratação.
Que retorno pode esperar uma empresa que investe num equipamento desta natureza?
IA: O investimento inicial pode ser ligeiramente superior ao da geração anterior, mas a expectativa é que a recuperação seja mais rápida, precisamente porque diminuem os desperdícios e as reimpressões. Se a máquina consegue manter a consistência da cor e garantir que as folhas cumprem os critérios de qualidade, a empresa perde menos tempo com correções e aproveita melhor a capacidade produtiva. A rentabilidade não depende apenas da velocidade anunciada, mas igualmente da quantidade de trabalho que conseguimos produzir com qualidade e entregar ao cliente.
Existem já dados concretos sobre a redução do desperdício e os ganhos de eficiência?
IA: Ainda não temos dados suficientes em Portugal para apresentar resultados consolidados, porque estamos a lançar o equipamento e precisamos de mais instalações em funcionamento para recolher informação representativa. Temos algumas referências, mas queremos reunir uma base mais alargada antes de divulgar números. O equipamento apresenta um consumo energético baixo para esta categoria, mas os restantes indicadores terão de ser avaliados com mais tempo e com mais unidades instaladas.

A falta de profissionais qualificados continua a pressionar o setor
A escassez de mão de obra especializada é outro dos desafios identificados pela empresa. Num setor que exige conhecimentos técnicos e capacidade para acompanhar processos produtivos complexos, a automatização procura reduzir a quantidade de tarefas que dependem diretamente da intervenção humana, sem eliminar a necessidade de operadores.
Até que ponto a automatização pode responder à dificuldade em recrutar profissionais?
IA: Continuará a existir necessidade de intervenção humana, mas podemos reduzir o número de tarefas que dependem diretamente do operador. O equipamento consegue manter a produção durante períodos prolongados, controlar a qualidade e registar os problemas encontrados. No final, pode gerar um relatório que identifica as folhas rejeitadas e os motivos da rejeição. Desta forma, os profissionais deixam de ter de acompanhar continuamente todas as etapas e podem concentrar-se noutras tarefas.
A evolução tecnológica poderá alterar o próprio perfil dos profissionais que trabalham nas gráficas?
IA: A impressão tradicional nem sempre é apelativa para quem está a escolher uma carreira, sobretudo quando comparada com áreas como o design, a comunicação ou a publicidade. A impressão digital oferece outra realidade, com sistemas automatizados e ferramentas de controlo que simplificam o trabalho. A evolução passa por permitir que os profissionais supervisionem os processos, em vez de terem de intervir constantemente para corrigir cada problema.
Quais são as prioridades da Konica Minolta para os próximos anos?
IA: O nosso plano de médio prazo é definido a nível global, no Japão, mas a orientação que temos seguido passa pela automatização, pelo controlo e pela inspeção da qualidade. Queremos garantir que cada trabalho produzido corresponde aos requisitos definidos e que os clientes recebem um produto conforme. Nas nossas instalações no Japão, já existem robôs que recolhem as folhas depois da impressão e transportam-nas para os equipamentos de acabamento. Esse poderá ser um dos caminhos futuros, reduzindo ainda mais a intervenção humana nas diferentes fases da produção.
A tecnologia já permite avançar nesse sentido. O que falta para chegar a empresas de menor dimensão?
IA: O principal desafio é tornar estas soluções mais acessíveis. A tecnologia tem ainda um custo elevado, o que limita a capacidade de investimento de algumas empresas. Uma gráfica de média ou grande dimensão poderá ter mais condições para avançar com este tipo de equipamento, mas uma pequena empresa enfrenta maiores dificuldades. O objetivo passa por continuar a desenvolver a tecnologia e encontrar formas de a tornar acessível a um número crescente de clientes.
Por Renata Pinho