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A Abreu Advogados convidou António Casanova, CEO da Unilever FIMA e CEO da Gallo Worldwide, para uma conversa sobre o tema “O Mundo Pós-COVID: Uma nova era do comércio mundial?”. O evento decorreu online e procurou dar resposta à questão, através da visão de um empresário experiente no mercado nacional e internacional.

António Casanova juntou-se a Manuel Santos Vítor e Hugo Teixeira, sócio e sócio contratado da Abreu Advogados, respetivamente, para uma conversa sobre alguns dos temas centrais da economia. Atualmente estima-se que cerca de 140 milhões de pessoas terão perdido o emprego, devido às consequências da pandemia do novo coronavírus, e outros 9 milhões de pessoas estão em pobreza extrema.

Pos Covid19

Segundo António Casanova, a Unilever, que compreende várias marcas de bens de grande consumo, nas categorias de alimentação, limpeza doméstica e cuidados pessoais, tem unidades de negócio que foram impactadas negativamente e outras de forma muito positiva. Aliás, refere ele, como muitas outras no mercado.

“Nos bens de consumo houve diferenças notáveis em Portugal. As marcas da área da alimentação prosperaram bastante, mas as de higiene pessoal não. Os negócios de desodorizantes e shampoos diminuíram cerca de 20%, falando de uma forma muito geral. O que é relacionado com a higiene do lar também cresceu”, comentou.

Se há algo que o executivo não tem dúvida é de que entrámos numa recessão, restando apurar a duração e profundidade da mesma. O coronavírus trouxe consigo profundas mudanças, com impacto negativo para os negócios mais tradicionais, no segmento Business-2-Consumer (B2C), como os da restauração, o turismo e a aviação.

Diz que ainda não estamos numa era pós-COVID e que há até quem anteveja que vivamos em compasso de espera até, pelo menos, 2022. Não passando de conjeturas, arrisca dizer que “algumas das grandes economias podem sair ilesas e ser rápidas na recuperação devido aos estímulos que recebem, e isso pode ajudar à recuperação da economia em Portugal”.

Antonio Casanova UnileverAntonio Casanova

O crescimento do e-commerce

O comércio online quadruplicou e as empresas de videojogos, por exemplo, já reportaram aumentos de vendas na casa dos 64%. O canal, que em Portugal sempre foi de difícil penetração, conseguiu ultrapassar a barreira da experimentação, havendo muitas pessoas a encomendar online pela primeira vez.

O que se sabe é que depois da experimentação, há a fase da adoção por parte de uma percentagem dos clientes, que depois repetem as compras. Espera-se que a adoção seja elevada depois da fase da experimentação”, diz Casanova.

Mas, refere, em Portugal ainda há muito a fazer: “Portugal nunca teve um operador dedicado e o e-commerce foi deixado na mão dos operadores que têm também lojas físicas. Esses não terão grande interesse em desenvolver o e-commerce em todo o seu potencial, porque as margens são mais baixas, logo interessa-lhes mais o seu comércio principal”.

Na opinião do CEO da Unilever, “é pouco provável ter um mercado muito desenvolvido sem haver um operador completamente dedicado”.

A metodologia ágil veio para ficar

Quem nunca tinha estado em teletrabalho e foi obrigado a isso, descobriu novas formas de funcionar. Essas alterações vieram para ficar, diz António Casanova. Além de flexibilidade em termos de espaço e tempo, os profissionais descobriram que a distância não é inimiga da colaboração, trazendo inúmeros benefícios para os trabalhadores e para as empresas.

“Se antes pensávamos que as coisas iriam voltar à forma que tinham, hoje pensamos que estamos no começo de um set-up muito diferente. Isto não foi um intervalo”, alerta Casanova. “Este tempo permitiu perceber que esta forma de trabalho tem benefícios evidentes. As empresas perceberam que ter os funcionários a trabalhar longe não tem o perigo que antes pensavam”.

Os espaços vão ser mais pequenos e preparados para a partilha entre colaboradores. “Em Lisboa vamos fechar 20% dos escritórios”, conta. “O que vamos ter é espaços de armazenamento para os funcionários, com os bens pessoais, que arrumam e desarrumam diariamente”, para quando é necessário estarem presencialmente na empresa.

Em França há um cenário parecido. De dois edifícios que a Unilever lá tem, um deles vai deixar de ser utilizado. Ou seja, toda a força de trabalho será concentrada, rotativamente e quando necessário, em apenas 60% do espaço que antes estava disponível. No restante tempo, trabalham à distância, onde e quando querem.

Mudanças na cultura empresarial

A medição de desempenho vai mudar e a forma como se avalia o potencial de um colaborador também.  “A dinâmica digital é claramente diferente. Há um foco muito maior no desempenho e isso implica o desenvolvimento de capacidades interpessoais diferentes, porque as capacidades no digital são diferentes das do mundo físico”.

António Casanova elabora: “Agora partilham-se histórias, valores, atitudes e isso tem implicado proximidade física. Num mundo em que o trabalho individual é muito mais forte, a forma de criar cultura tem de ser repensada e será claramente diferente”. Com isso virá, diz ele, uma reestruturação na formação das pessoas.

Diferentes modos de vida 

Ao terminar a necessidade de estar fisicamente presente numa empresa num grande centro urbano, os colaboradores poderão ir viver para outras zonas. Isso leva a alterações no mercado imobiliário e até no ambiente, como um todo.

“Os consumidores são melhores a fazer alguma comunicação do que a agir. Se até há pouco tempo não esperávamos uma grande adoção de comportamentos mais sustentáveis, agora já esperamos”, explica.

António Casanova refere o caso da China, onde, após  a pandemia, há uma maior apreciação pela qualidade do meio ambiente e pela interação que temos com ele. Viver em harmonia com o exterior é benéfico para a raça humana e começamos, enquanto espécie, a perceber a importância de respeitar o meio onde nos inserimos.

“O mundo está sempre a mudar. Agora vamos noutra direção”, conclui.

As Abreu Advogados Forward Sessions 

Este seminário insere-se num conjunto de conferências online que a Abreu Advogados tem vindo a organizar e que contam com a participação de reconhecidos oradores de diferentes setores da economia e da academia.

Abreu Antonio Casanova

As Abreu Advogados Forward Sessions são uma iniciativa de sessões webinar para conversas, debates e apresentações de temas do interesse da economia, focados na procura de soluções e caminhos sustentáveis para as organizações portuguesas