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A Onda Grafe está a navegar as águas turbulentas da pandemia do novo coronavírus sem baixar os braços. A gráfica de Santo Antão do Tojal, no concelho de Loures, continuou a produzir e faz, atualmente, equipamentos de proteção para os profissionais de saúde, colaborando com vários projetos de solidariedade.

Onda Grafe

Exemplo disso é o projeto do IADE – Faculdade de Design, Tecnologia e Comunicação da Universidade Europeia que, consciente da escassez deste equipamento médico, desenvolveu de raiz um projeto de design e produção de viseiras.

Estamos a fazer a parte da frente da viseira. Eles fazem o suporte em 3D”, explica Bruno Moluras, administrador da empresa. Apesar de também disporem de uma máquina de impressão 3D, era necessário utilizar outro género de material, mais rígido do que o que dispunham. Isso não os afastou do propósito de contribuir. “Há muitas pessoas a imprimir essas peças (em 3D), quer no IADE, quer na Universidade Europeia, quer em casa – falo de alunos, professores e amigos – e nós vamos fornecendo a parte da viseira e a parte que suporta a parte de trás”, explica Bruno.

As viseiras foram analisadas e validades pelas entidades competentes, respeitando a regulamentação em termos de material e higiene. Desenvolvidas com os materiais policarbonato transparente 0.75mm, PLA e Elástico Náutico, a produção assenta, principalmente, na tecnologia de corte a laser e com recurso à impressão 3D. Com design de Vasco Milne, modelação 3D de Ruben Martins e Miguel Diniz, e produção de Vasco Milne e Diamantino Abreu, o IADE conta com o apoio da Onda Grafe para fazer chegar o material a várias instituições como os Hospitais Beatriz Ângelo, Santa Maria, Amadora Sintra e Estefânia.

A Onda Grafe colabora com mais projetos: “estamos a fazer viseiras para o IPO, para o Amadora-Sintra, para lares de terceira idade e para outros locais, embora o do IADE seja o que nos tem ocupado mais”, explica o administrador da Onda Grafe.

Viseiras IADE

 

A análise da situação e a probabilidade do Layoff

Desde que, a meados de março, foi decretado o isolamento social, a Onda Grafe ainda não parou de produzir. Tomou algumas precauções, colocando equipas comerciais e outros elementos em teletrabalho e outros em prevenção, para o caso de haver algum diagnóstico da COVID-19 na equipa.

Porém, o trabalho começa a escassear, como têm relatado muitas empresas do setor. “Neste momento temos pouco, e tem entrado cada vez menos trabalho. Nós tínhamos algum trabalho em desenvolvimento, mas já estamos a trabalhar quase só em novas encomendas. Estão a entrar cerca de quatro ou cinco por dia quando antes entravam 50”, explica Bruno Moluras.

A área alimentar e de bens de primeira necessidade ainda é a que vai trazendo novos pedidos de orçamento. “Não é o nosso forte, mas é o que ainda se aguenta. O digital parou, a publicidade parou e o que está relacionado com bens de primeira necessidade é o que vai aparecendo. Por exemplo, devemos começar um trabalho para fazer 500 mil caixas para luvas descartáveis. Fizemos também 50 mil caixas para a Hamburgueria do Bairro e estamos a trabalhar para a Gelpeixe. Essas são as encomendas que vão surgindo. É claro que vamos fazendo prospeção nessa área para angariar mais trabalho”, adianta.

Face à difícil situação, Bruno Moluras acredita que terá de recorrer brevemente ao Layoff e a outras medidas como a redução de horários. “Isto vai entrar em ponto morto”, comenta, adiantando ainda: “já não há trabalho que chegue para toda a gente e vamos ter de recorrer às ferramentas disponíveis para fazer frente a esta situação”.

A expetativa pelo que aí vem

“Há tantas variáveis que é difícil prever” e responder à questão que lhe colocámos sobre um eventual regresso à normalidade. Com uma situação sólida em termos financeiros, a Onda Grafe ainda não necessitou recorrer à banca e aguarda, como muitos, para perceber o que se vai desenrolar.

Bruno Moluras acredita, no entanto, que as medidas de distribuição de apoios não poderão ser equitativas, se queremos que a indústria regresse a melhores dias. E dá o exemplo da TAP Air Portugal, para explicar o que, para ele, seria uma gestão de recursos mais eficaz: “Em última instância, o Estado poderá ter de nacionalizar a TAP e injetar milhões de euros. Não concordo é que, alguns anos mais tarde, a vendam por milhares. Mas, se o Estado não injetar milhões não salva a companhia e nós, enquanto país, precisamos de uma transportadora aérea. A TAP vai precisar de mais fundos que a Onda Grafe e é um exemplo de uma distribuição que não é equitativa. No entanto, o país também precisa de empresas como a nossa”.

Sou a favor de ajudar as empresas, mas acho que os que vão levantar a economia são os que já o faziam antes”, explica, adiantando ainda “Se os mais fortes fizerem a economia funcionar, ela também vai funcionar para os outros” e será mais fácil chegar a uma recuperação real. Enquanto administrador da Onda Grafe, sente alguma serenidade, pois diz: “quero acreditar que o trabalho que fazemos vale de alguma coisa”.