A Havas Media Network Portugal lançou o (re)THINK MEDIA, um novo ciclo de encontros dedicado à reflexão sobre a evolução dos meios de comunicação em Portugal.

A primeira edição decorreu em Lisboa, a 19 de junho, sob o tema “De um Ecrã para um Ecossistema”, e reuniu representantes da Media Capital, Media Livre, RTP, Impresa, Disney, NOS e SAPO.

O encontro teve como ponto de partida a transformação do consumo audiovisual e o papel dos media num contexto marcado pela fragmentação das audiências, pela crescente utilização de dados, pela evolução da inteligência artificial e pelo desenvolvimento da Connected TV.

Na abertura da sessão, Fernanda Marantes, CEO da Havas Media Network Portugal, destacou a importância de criar espaços de debate entre os diferentes intervenientes do mercado. “O setor dos media vive um momento de profunda transformação, impulsionado pela evolução tecnológica, pela inteligência artificial e pelas mudanças nos hábitos de consumo. O (re)THINK MEDIA nasce precisamente para promover uma reflexão conjunta sobre estes desafios e ajudar a construir uma visão mais integrada sobre o futuro dos meios em Portugal”, comentou.

Uma das principais conclusões do encontro foi a ideia de que a televisão mantém um papel relevante no mercado português, apesar da multiplicação de plataformas, formatos e pontos de contacto. Segundo os dados apresentados, 7,7 milhões de pessoas continuam a consumir televisão diariamente em Portugal, com um tempo médio de visualização superior a cinco horas por dia.

João Paulo Luz, Commercial Director TV & Digital da Impresa, Mário Matos, Commercial Director da Media Capital, e Paulo Lourenço, Chief Revenue Officer da Media Capital, referem estes números contrariam a perceção de perda de relevância da televisão junto das audiências. Os responsáveis sublinharam a capacidade do meio para gerar notoriedade, confiança e impacto, num mercado caracterizado por elevados níveis de consumo televisivo, forte penetração da televisão por subscrição e ligação dos espectadores aos conteúdos locais.

A discussão abordou também a passagem da televisão linear para um ecossistema mais amplo de conteúdos. Cristina Viegas, Commercial Director da RTP, e João Pedro Galveias, Director of Content for Young Audiences da RTP, defenderam que a televisão deve ser entendida como um ecossistema de conteúdos e não apenas como um canal de distribuição. Neste contexto, televisão, streaming, plataformas digitais e redes sociais coexistem e complementam-se, acompanhando uma audiência que consome conteúdos em diferentes dispositivos e momentos do dia.

Connected TV ganha relevância no mercado audiovisual

A evolução dos hábitos de consumo foi outro dos temas centrais da sessão. Segundo os dados apresentados, 52,1% dos portugueses utilizam serviços de streaming e 42,2% subscrevem pelo menos uma plataforma. Para os participantes, esta tendência não representa necessariamente uma substituição da televisão, mas antes a expansão do consumo audiovisual para novos ambientes e formatos.

Jorge Padinha, AdSales Director da Disney, abordou a forma como o streaming está a diversificar os momentos e os modos de consumo de conteúdos audiovisuais. Já Nuno Rios, Media Sales Manager do SAPO, destacou a Connected TV como uma das transformações mais relevantes do setor, ao combinar o ambiente televisivo com capacidades de segmentação e medição associadas ao digital.

De acordo com os dados referidos no encontro, estima-se que o streaming represente cerca de 40% do investimento mundial em televisão até 2030, enquanto 82% dos anunciantes planeiam aumentar o investimento em Connected TV.

Os conteúdos e as estratégias multiplataforma estiveram igualmente em análise. Luís Ferreira, diretor-geral comercial da Media Livre, José Manuel Gomes, Business Development Director da Media Livre, e Miguel Magalhães, diretor de publicidade da NOS, defenderam que os grupos de media estão a evoluir para ecossistemas de conteúdos, integrando televisão, digital, eventos, streaming, newsletters, podcasts e outras plataformas.

Neste contexto, os participantes sublinharam que as marcas procuram cada vez mais contextos relevantes, confiança e atenção qualificada, mais do que apenas espaço publicitário. A atenção foi identificada como um dos ativos centrais do atual ecossistema mediático, num momento em que os consumidores distribuem o seu tempo por múltiplos ecrãs, plataformas e formatos.

No encerramento da sessão, Vítor Dourado, Chief Investment Officer da Havas Media Network Portugal, reforçou a importância da colaboração entre os vários agentes do mercado. “O futuro dos media não será construído por um único meio ou plataforma. Será construído através da complementaridade entre diferentes ecossistemas, da capacidade de inovação dos operadores e da colaboração entre marcas, agências e meios. É precisamente esse debate que queremos estimular através do (re)THINK MEDIA”, afirmou.

A primeira edição do (re)THINK MEDIA assinala o início de um ciclo de encontros que continuará ao longo do ano, com o objetivo de promover a partilha de conhecimento e a discussão sobre as principais tendências que estão a transformar os media, a comunicação e a relação entre marcas e audiências.