A Heidelberg reviu em baixa as previsões de rentabilidade para o exercício financeiro de 2026/2027, devido à pressão sobre os custos, à conjuntura económica internacional e a atrasos em projetos.
A fabricante alemã mantém, contudo, a previsão de estabilidade das vendas, depois de ter registado uma faturação de 913 milhões de euros no primeiro semestre, menos 7,3% do que no período homólogo.
A empresa anunciou que espera agora alcançar uma margem EBITDA ajustada entre 5,6% e 6,6% no conjunto do exercício. A previsão anterior apontava para uma melhoria significativa face aos 6,6% registados em 2025/2026.
A revisão resulta sobretudo das condições económicas internacionais, da persistência da pressão sobre os custos e de alterações na composição das vendas, particularmente associadas à evolução dos mercados do Médio Oriente. A Heidelberg aponta ainda atrasos na execução de projetos do segmento Technologies.
Apesar da revisão da rentabilidade, a empresa mantém a previsão de vendas anuais em linha com os 2.293 milhões de euros alcançados no exercício anterior.
Encomendas aumentam, mas faturação recua no primeiro semestre
Os resultados preliminares dos primeiros seis meses do exercício revelam um aumento das encomendas recebidas, que passaram de 1.111 milhões para 1.141 milhões de euros, uma subida de 2,7%.
No segundo trimestre, a entrada de encomendas atingiu 604 milhões de euros, contra 551 milhões no período homólogo, o que representa um crescimento de 9,6%.
A evolução da faturação foi, contudo, negativa. As vendas acumuladas no primeiro semestre diminuíram de 985 milhões para 913 milhões de euros. No segundo trimestre, situaram-se nos 509 milhões de euros, ligeiramente abaixo dos 519 milhões registados um ano antes.
A margem EBITDA ajustada fixou-se em 3,7% no conjunto dos primeiros seis meses, contra 6,4% no período homólogo. No segundo trimestre, atingiu 6,4%, evidenciando uma recuperação face aos primeiros três meses do exercício.
O resultado líquido após impostos foi negativo em nove milhões de euros no primeiro semestre, comparativamente ao resultado nulo registado um ano antes.
Já no segundo trimestre, a empresa apresentou um lucro líquido de 24 milhões de euros, mais do dobro dos 11 milhões alcançados no período homólogo. Esta evolução foi influenciada sobretudo pelo reconhecimento de uma diferença positiva contabilística associada à aquisição da manroland sheetfed.
O free cash flow também se deteriorou, passando de um valor negativo de 64 milhões de euros, no primeiro semestre do exercício anterior, para 125 milhões de euros negativos. A empresa atribui esta evolução principalmente ao aumento das necessidades de fundo de maneio durante o exercício.