A Altri encerrou o segundo trimestre de 2026 com receitas de 204,6 milhões de euros, um crescimento de 20,8% face ao mesmo período de 2025 e de 27,7% comparativamente com os primeiros três meses do ano.
O EBITDA atingiu 30 milhões de euros, mais 6,5% em termos homólogos e quase seis vezes acima dos 5,4 milhões registados no primeiro trimestre. A margem EBITDA recuperou para 14,7%, embora tenha permanecido dois pontos percentuais abaixo da alcançada um ano antes.
«Depois de um início de ano particularmente exigente, conseguimos restabelecer a normalidade operacional e voltar a um nível de desempenho que melhor reflete a capacidade do grupo», afirma José Soares de Pina, CEO da Altri.
O resultado líquido atribuível aos acionistas duplicou face ao segundo trimestre de 2025, passando de 6,4 para 12,9 milhões de euros. No trimestre anterior, o grupo tinha registado um prejuízo de 7,3 milhões de euros.
A recuperação foi sustentada pela normalização da produção e da logística, pelo aumento dos volumes vendidos e pela melhoria gradual dos preços das fibras celulósicas. Persistiram, contudo, dificuldades no acesso à madeira, tanto em quantidade como em preço, resultantes das tempestades que afetaram Portugal no início do ano.
Produção cresce 31% face ao primeiro trimestre
A produção total de fibras celulósicas atingiu 281,9 mil toneladas no segundo trimestre, mais 5% em termos homólogos e 31,3% face aos primeiros três meses do ano.
A produção de fibra papeleira de eucalipto, BHKP, totalizou 236,1 mil toneladas. Este valor representa uma redução de 3,9% face ao período homólogo, mas uma recuperação de 24% comparativamente com o primeiro trimestre.
A produção de fibra solúvel aumentou 102,3% em termos homólogos, para 45,7 mil toneladas, e avançou 89,5% face ao trimestre anterior.
As vendas totais atingiram 290,8 mil toneladas, mais 16,5% do que no segundo trimestre de 2025. As vendas de fibra BHKP cresceram 8,2%, para 243,3 mil toneladas, enquanto as de fibra solúvel aumentaram 92,8%, para 47,5 mil toneladas.
O Tissue manteve-se como o principal destino das fibras produzidas pela Altri, representando 39% das vendas do primeiro semestre. O setor têxtil aumentou o seu peso para 15%, acompanhando o crescimento da produção de fibra solúvel.
A Europa concentrou 57% das vendas, seguida pelo Médio Oriente e Norte de África, com 25%, e pela Ásia, com 18%.
Biotek acelera conversão para fibra solúvel
A conversão da produção da Biotek de fibra papeleira para fibra solúvel entrou numa fase de aceleração durante o segundo trimestre. A empresa começou a fornecer produto a novos clientes e mantém vários processos de qualificação em fase avançada.
A fibra solúvel destina-se sobretudo à produção de fibras têxteis de base celulósica, como viscose e lyocell. A Altri prevê que este segmento continue a aumentar o seu peso nas vendas, beneficiando da recuperação da procura, particularmente na Ásia.
De acordo com os dados citados pelo grupo, a procura mundial de fibra solúvel cresceu 6,3% nos primeiros quatro meses de 2026.
Caima inicia novos projetos de valorização
Na Caima, o projeto de recuperação e valorização de ácido acético e furfural de origem renovável encontra-se em fase de arranque. As primeiras vendas são esperadas no terceiro trimestre e a unidade deverá aproximar-se da utilização integral da capacidade nominal até ao final do ano.
Está igualmente em curso a instalação de uma unidade pré-industrial destinada ao aumento de escala do filamento AeoniQ, desenvolvido para aplicações têxteis de menor impacto ambiental.
A produção deverá começar no último trimestre de 2026, permitindo aumentar os volumes disponíveis e acelerar os processos de qualificação junto dos potenciais clientes.
Projeto Gama arquivado na configuração atual
O projeto Gama, previsto para a Galiza, foi arquivado pela administração autonómica na sua configuração atual devido à ausência de ligação prevista no planeamento da rede elétrica nacional espanhola.
O grupo sublinha que o projeto foi concebido para ser energeticamente autossuficiente e afirma que continuará a acompanhar possíveis alternativas que permitam criar condições para o seu desenvolvimento.
Investimento aumenta para 33,7 milhões de euros
O investimento líquido da Altri ascendeu a 33,7 milhões de euros no primeiro semestre, face a 20,9 milhões no período homólogo.
Cerca de 27 milhões de euros, correspondentes a 80% do investimento total, foram classificados como investimentos ESG.
A dívida líquida situava-se em 397,9 milhões de euros no final de junho, acima dos 348,4 milhões registados no final de março. A evolução refletiu principalmente o pagamento de 51,3 milhões de euros em dividendos e o aumento do investimento nos projetos de diversificação.
Mercado dá sinais de recuperação
A procura mundial de fibras celulósicas diminuiu 2,3% nos primeiros cinco meses do ano. No segmento de hardwood, a China contrariou a tendência, com um crescimento de 2,2%, enquanto a procura na Europa Ocidental recuou 2,3%.
O preço europeu de referência da BHKP atingiu 1.409 dólares por tonelada em junho, face a 1.100 dólares no final de 2025. Na fibra solúvel, os preços líquidos situavam-se em cerca de 898 dólares por tonelada em julho, comparativamente com 795 dólares no final do ano passado.
A Altri antecipa que os efeitos das tempestades sobre a disponibilidade e o custo da madeira se diluam gradualmente nos próximos trimestres.