A Quilate, gráfica de Leiria, enfrenta danos severos provocados pela depressão Kristin, que arrancou por completo a cobertura do edifício. Duas semanas após o temporal, a empresa continua sem saber se conseguirá recuperar.
Bruno Marques, responsável pela Gráfica Quilate, descreve com incredulidade o cenário deixado pelo vento. “O telhado de um edifício que tem 40 metros por 20 metros foi arrancado. Foi tudo. Até levou alguns dos tijolos da própria estrutura. É impressionante”, afirmou à agência Lusa.
No interior, a água continua a infiltrar‑se pelo teto, caindo sobre plásticos que protegem as máquinas digitais e offset. Algumas encomendas ficaram inutilizadas e permanece a dúvida sobre o estado dos equipamentos, um dos quais custa cerca de 250 mil euros. “Estas máquinas têm muita sensibilidade à humidade e a água está a cair aqui dentro há 15 dias. Não sabemos quais é que estão estragadas”, explicou.
A recuperação depende da instalação de uma nova cobertura, de condições meteorológicas favoráveis e de um processo de desumidificação que poderá prolongar‑se por mais de um mês. Só depois será possível testar máquinas e disjuntores. “Só aí teremos noção do impacto real”, disse.
Enquanto isso, os cinco trabalhadores estão em layoff e a empresa não consegue assegurar encomendas. Bruno Marques estima prejuízos de pelo menos 500 mil euros, valor que poderá aumentar. A incerteza é agravada pelo facto de a seguradora não cobrir as máquinas.
O empresário critica ainda a resposta pública disponível para empresas afetadas. “Aquilo que neste momento existe não são apoios: são financiamentos, empréstimos. Ainda me faltam quatro meses para pagar o empréstimo da pandemia. E agora continuamos nisto? Pedimos mais 100 mil euros? Sempre a endividar?”, questionou à Lusa. Ao seu lado, o pai, Rodrigues Marques, fundador da gráfica há mais de 30 anos, confessou desânimo.
A família aguarda agora a peritagem da seguradora e a avaliação final das máquinas para decidir o futuro da empresa. “Combinámos ver como estão as máquinas. Não vamos fazer um investimento de 250 mil euros para pôr uma máquina nova com apoios que não são apoios”, disse Bruno Marques.