A UPM terminou o exercício de 2025 com um forte fluxo de caixa e um conjunto de decisões estratégicas relevantes, apesar de um enquadramento económico internacional marcado por tensões geopolíticas e incerteza nos mercados.

No quarto trimestre, as vendas totalizaram 2.312 milhões de euros, abaixo dos 2.632 milhões registados no período homólogo de 2024. O EBIT comparável recuou 15%, para 355 milhões de euros, correspondendo a 15,3% das vendas. Em contrapartida, o fluxo de caixa operacional destacou-se, atingindo 720 milhões de euros, face aos 570 milhões do quarto trimestre do ano anterior.

A dívida líquida situou-se nos 3.004 milhões de euros, com um rácio dívida líquida/EBITDA de 2,29. Durante o trimestre, a biorrefinaria da UPM em Leuna realizou as primeiras entregas a clientes, enquanto a área de Adhesive Materials anunciou novos investimentos de crescimento nos Estados Unidos, Malásia e Vietname, ao mesmo tempo que descontinuou a produção em Nancy, França.

Na área de Communication Papers, a empresa encerrou produção nas unidades de Ettringen (Alemanha) e Kaukas (Finlândia) e concluiu a venda do antigo complexo industrial de Plattling, também na Alemanha. No mesmo período, a UPM e a Sappi assinaram uma carta de intenções não vinculativa com vista à criação de uma joint venture no segmento de papel gráfico.

Resultados de 2025

No conjunto do ano, as vendas da UPM totalizaram 9.656 milhões de euros, face aos 10.339 milhões registados em 2024. O EBIT comparável caiu 25%, para 921 milhões de euros, representando 9,5% das vendas. O fluxo de caixa operacional ascendeu a 1.405 milhões de euros, ligeiramente acima do valor registado no ano anterior.

Ao longo de 2025, a empresa avançou com um programa de recompra de ações, adquirindo seis milhões de ações por cerca de 160 milhões de euros, descontinuou o desenvolvimento da biorrefinaria de Roterdão para reforçar o foco estratégico nos biocombustíveis e iniciou uma revisão estratégica do negócio de contraplacados (UPM Plywood).

A UPM reforçou ainda o seu posicionamento em sustentabilidade, ao receber a classificação Platinum da EcoVadis, integrando o top 1% global, e ao ser reconhecida pelo CDP e pela S&P Global. Foi também a única empresa do setor florestal e do papel a integrar os Índices de Sustentabilidade Dow Jones Global e Europeu 2024–2025.

Massimo Reynaudo, presidente e CEO da UPM, destacou o impacto do contexto internacional adverso: “O ano de 2025 foi marcado pelo agravamento das tensões geopolíticas e comerciais, que tiveram um efeito negativo no nosso ambiente de negócios. Perante a incerteza e a quebra da confiança dos consumidores, reforçámos as medidas para aumentar a competitividade e executar a nossa estratégia de portefólio.” Segundo o responsável, estas decisões permitiram melhorar o desempenho na maioria dos negócios e assegurar um fluxo de caixa muito forte no quarto trimestre.

E para 2026?

Para o primeiro semestre de 2026, a empresa antecipa um EBIT comparável entre 325 e 525 milhões de euros, num contexto que deverá beneficiar de preços e volumes moderadamente mais elevados, embora ainda condicionado pela fraqueza estrutural do mercado de papel gráfico e pelos custos iniciais associados ao arranque da produção em Leuna.