Portugal conta atualmente com 2.100 empresas gazela, segundo dados do Insight View da Iberinform, confirmando o crescimento expressivo deste segmento no tecido empresarial nacional.

Em conjunto, estas empresas alcançaram, em 2024, um volume de negócios total de 5.597 milhões de euros, o que representa um aumento de 37,7% face ao ano anterior.

As empresas gazela são caracterizadas por terem menos de cinco anos de atividade, criarem pelo menos dez postos de trabalho e apresentarem um crescimento médio anual superior a 20%, seja em faturação, seja no número de trabalhadores, ao longo dos últimos três anos. Apesar de representarem uma fatia reduzida do universo empresarial, desempenham um papel relevante na criação de emprego, na dinamização económica e na promoção da inovação.

No último ano, o número total de empresas gazela aumentou de forma significativa, com mais 871 entidades face a 2024, quando se contabilizavam 1.229 empresas com este perfil.

A análise setorial revela uma forte concentração em três áreas de atividade. A Construção e Imobiliário lidera, representando 25% do total das empresas gazela, seguida da Hotelaria e Restauração, com 17,9%, e da Consultoria, com 12,2%. Em conjunto, estes setores concentram 55,1% das empresas com crescimento acelerado.

As empresas gazela estão distribuídas por 339 categorias distintas da Classificação das Atividades Económicas (CAE). Entre as atividades mais representativas destacam-se a construção de edifícios, que corresponde a 15% do total, e os restaurantes tradicionais, com 10%. Surgem ainda com peso relevante as atividades de consultoria para os negócios (3%) e a programação informática (3%).

Em termos geográficos, a maior concentração de empresas gazela verifica-se na Área Metropolitana de Lisboa, que reúne 32% do total, seguida do Porto, com 18%. Braga surge em terceiro lugar, com 9%, à frente de Setúbal (7%) e Faro (6%), refletindo uma forte presença no litoral e nos principais polos urbanos e económicos do país.

Apesar do desempenho positivo, o crescimento acelerado nem sempre se traduz em estabilidade financeira. De acordo com a Iberinform, 25% das empresas gazela apresentam um risco elevado de incumprimento, enquanto 29% registam um risco médio. Apenas 46% são classificadas como empresas de baixo risco.

No que respeita à forma jurídica, 53% das empresas gazela optaram por constituir-se como sociedades por quotas, evidenciando a preferência por modelos que exigem menor capital inicial e oferecem maior flexibilidade na fase de arranque.

Apesar do forte crescimento, menos de 1% destas empresas atingiu a dimensão de grandes empresas. A maioria mantém-se no segmento das pequenas empresas (60%), enquanto apenas 5% são classificadas como médias empresas.

No total, as empresas gazela empregam mais de 71 mil trabalhadores em Portugal, confirmando o seu contributo relevante para o emprego e para o dinamismo da economia nacional.