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O Grupo Altri revelou os resultados do ano 2022, com um resultado líquido que aumenta para os 152,1 milhões em 2022 e receitas que ultrapassaram, pela primeira vez os 1000 milhões de euros.

Segundo o grupo, a produção de fibras celulósicas alcançou um volume de produção recorde de 1142,6 mil toneladas no ano passado, com 85% a ter o mercado externo como destino.

José Soares de Pina, CEO da Altri, comenta: “Investimos 45,3 milhões de euros, incluindo projetos de manutenção, ambientais e de crescimento. Apesar deste forte investimento, apresentamos uma sólida posição financeira, reduzindo o nosso já baixo nível de dívida líquida (1,1x EBITDA), o que nos permite manter a flexibilidade financeira para agarrar as oportunidades futuras da bioeconomia”.

Jose Pina AltriJosé Soares de Pina, CEO da Altri

Referiu-se especificamente à nova unidade industrial da Galiza, “que inclui o estudo de impacto ambiental, de viabilidade económica, o projeto de engenharia, de estrutura de financiamento e de acesso a fundos da União Europeia. Este é um projeto estruturante para a indústria quer ao nível da bioeconomia e da circularidade, quer ao nível da gestão energética, utilizando tecnologia de ponta. Pretendemos, como já afirmámos, poder anunciar a decisão final de investimento durante o ano em curso”. A unidade industrial contruída de raíz terá uma capacidade produtiva anual de 200 mil toneladas de pasta solúvel e fibras têxteis sustentáveis, diz a Altri.

Os resultados foram substanciados por um crescimento da procura global por fibras celulósicas, com destaque para a China (+2,1%) e Europa Ocidental (+3,0%). Havendo maior procura que disponibilidade, os preços das fibras curtas (BHKP) aumentaram e, no final de 2022, o preço de tabela do BHKP na Europa estabilizou nos 1380 dólares / tonelada.

O Grupo Altri, através da Caima, Celbi e Biotek, apresentou um volume total de fibras celulósicas produzidas recorde de 1.142,6 mil toneladas, 1,5% acima do registado no ano anterior. Em termos de vendas, a descida homóloga (-4%) para 1.107,6 mil toneladas no total de 2022 é explicada pela quebra homóloga de 9% registada no último trimestre do ano devido a algum abrandamento na procura. Os mercados externos representaram 85% das vendas, revela a empresa.

Apesar do ambiente inflacionista de vários custos variáveis, o Grupo Altri conseguiu manter praticamente o mesmo nível de rentabilidade ao nível do EBITDA e até uma melhoria ao nível do resultado operacional em 2022. O resultado líquido das operações continuadas do Grupo Altri atingiu 152,1 milhões de euros em 2022, um aumento de 23% ao comparar com 2021.

Outros investimentos


O Grupo Altri aumentou em 73,5% o investimento durante o último ano. Depois dos 26,1 milhões de euros investidos em 2021, o investimento líquido total realizado em 2022 foi de 45,3 milhões, incluindo cerca de 10,3 milhões de euros da nova caldeira de biomassa para a unidade industrial da Caima. Em termos trimestrais, o investimento líquido total no quarto trimestre atingiu os 10,5 milhões.

Apesar do reforço do investimento para maximizar a eficiência das operações, mas também dos dividendos entregues aos acionistas, incluindo os 37,2% do capital da Greenvolt, o endividamento líquido do Grupo Altri reduziu-se. A dívida líquida cifrou-se em 325,8 milhões de euros no final de 2022, uma redução face a 344,0 milhões no final de 2021.

Mercado das fibras celulósicas


A procura global por fibras celulósicas durante 2022 apresentou um crescimento de 1,5% face a 2021, sendo que a procura por pasta Hardwood aumentou a um nível mais acelerado atingindo 2,9%, de acordo com o PPPC (World Chemical Market Pulp Global 100 Report - December 2022).


No mercado de pasta Hardwood onde o Grupo Altri tem uma posição predominante, é de destacar o Japão (+10,9%), a América Latina (+5,7%) e o resto da Ásia/Africa (+4,5%). Os mercado de maior dimensão como a China (+2,1%) e a Europa Ocidental (+3,0%) registaram evoluções positivas no ano, apesar de uma desaceleração generalizada durante o quarto trimestre de 2022.


Um dos fatores relevantes para confirmar o equilíbrio da procura e oferta de pasta no mercado Europeu é o nível de stocks nos Portos Europeus. Durante o quarto trimestre, esse nível de stocks estabilizou perto de valores mais próximos das médias dos últimos anos.

A Pasta Solúvel (DP) registou um decréscimo na procura global de 0,2% durante o ano de 2022, de acordo com a Numera Analytics (Global DP Demand Report – December 2022). A DP é direcionada para o uso têxtil e usada principalmente na Ásia, que absorve mais de 80% da procura. Em termos regionais, a China apresentou decréscimo de 0,2%, depois de números positivos durante a primeira metade do ano. Em termos de preços de DP, e em linha com a procura, depois de uma subida acentuada até ao primeiro semestre de 2022 houve uma correção durante a segunda metade do ano.

 

Perspetivas


Sobre as perspetivas para o ano que decorre, o grupo refere, em comunicado: “O mercado global de fibras celulósicas está num processo de normalização. Depois de um comportamento bastante forte em 2022, a Europa mostrou algum abrandamento perto do final do ano e no início de 2023, nomeadamente nos segmentos de uso final mais cíclico como o Decór (construção) e I&E (Impressão & Escrita), mantendo-se em níveis positivos e sólidos a procura no Tissue.

A China, depois de períodos sucessivos e prolongados de confinamento, diminuiu as medidas restritivas durante o último trimestre de 2002. Acreditamos que a reabertura da economia chinesa poderá ter um impacto relevante na procura global de pasta a partir do segundo trimestre de 2023. O preço do BHKP na Europa manteve o nível de 1380 dólares/ton durante o mês de Janeiro tendo corrigido para níveis perto de 1300 dólares/ton no início de março de 2023.


Em termos de oferta, e com uma maior normalização da logística global, acreditamos que muitas das restrições para abastecer partes do globo nos últimos anos, estão ultrapassadas. Como tal, alguma reação positiva do mercado chinês poderá ser abastecida pelo mercado da América e contribuirá para absorver a grande parte da capacidade dos novos projetos, sediados na América Latina, que poderão começar a chegar ao mercado durante a segunda metade de 2023”.


Ao longo de 2023, a Altri irá fazer paragens em todas as unidades de produção. A Celbi esteve parada em fevereiro, seguindo-se novas paragens na segunda metade do ano, com a Biotek em setembro e a Caima em outubro.

Os principais fatores para o acréscimo relevante no custo de produção foram a evolução do preço do gás natural e eletricidade, o preço dos químicos e o custo da madeira, devido ao maior nível de importação e à evolução do dólar. O Grupo Altri está a fazer a instalação de centrais fotovoltaicas nas três fábricas da Altri, que deverão iniciar a atividade nos próximos meses.