A Universidade Politécnica de Setúbal (UNIPS) participou no desenvolvimento de tecnologias de impressão 3D para a indústria aeronáutica, no âmbito do projeto ProAero3D, coordenado pela Wipro Lauak Portugal. A iniciativa, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), permitiu desenvolver e testar componentes para aplicações aeronáuticas, incluindo peças destinadas à aeronave portuguesa LUS222 e a sistemas aéreos não tripulados.
Integrado na Agenda Mobilizadora Aero.Next Portugal, o projeto concluiu a sua execução física a 30 de junho de 2026 e reuniu empresas, instituições de ensino superior e centros tecnológicos, com o objetivo de desenvolver competências nacionais em fabrico aditivo.
A participação da UNIPS centrou-se na investigação de processos de impressão 3D metálica e polimérica, na caracterização de materiais e na validação experimental de componentes.
O fabrico aditivo permite produzir peças com geometrias complexas, difíceis de obter através de processos convencionais, e reduzir a quantidade de material utilizado. Na indústria aeronáutica, estas características são particularmente relevantes para a redução do peso dos componentes, mantendo os requisitos de resistência e desempenho.
Componentes produzidos para aeronaves e drones
Entre os resultados do ProAero3D encontram-se a otimização, produção e realização de ensaios de componentes destinados a diferentes aplicações aeronáuticas.
Os trabalhos incluíram peças para o LUS222, projeto de desenvolvimento de uma aeronave portuguesa, e componentes para drones destinados, nomeadamente, a operações de vigilância marítima.
A investigação foi desenvolvida em articulação com a Wipro Lauak Portugal e parceiros como o Instituto de Soldadura e Qualidade (ISQ) e o Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA).
Ricardo Cláudio, docente do Departamento de Engenharia Mecânica e coordenador do ProAero3D na UNIPS, comenta: "A grande mais-valia deste projeto é ter permitido criar em Portugal conhecimento, recursos humanos qualificados, infraestruturas e capacidade tecnológica e produtiva que o coloca em melhores condições para captar novos projetos internacionais".
Investimento em equipamentos e formação especializada
O ProAero3D permitiu também reforçar as infraestruturas de investigação da Universidade Politécnica de Setúbal, através da aquisição de equipamentos destinados ao estudo e desenvolvimento de processos de fabrico aditivo.
Entre os investimentos realizados encontram-se um sistema de impressão 3D metálica e um microscópio eletrónico, que permitem aprofundar a investigação sobre materiais, processos de produção e características dos componentes fabricados.
O projeto envolveu docentes, investigadores, bolseiros e estudantes de licenciatura, mestrado e doutoramento, proporcionando a participação em trabalhos de investigação associados a necessidades concretas da indústria.
"Esta interação entre estudantes, investigadores e empresas permitiu desenvolver competências altamente especializadas, de forma a corresponder às necessidades concretas da indústria", refere Ricardo Cláudio.
A ligação entre a formação académica e a atividade empresarial traduziu-se também na contratação, pela Wipro Lauak Portugal, de dois estudantes que concluíram o mestrado e de uma doutorada envolvidos no projeto. Os três profissionais passaram a trabalhar diretamente com tecnologias de fabrico aditivo.
"É fundamental que as empresas portuguesas acompanhem e participem nesta evolução tecnológica, sob pena de perderem competitividade e oportunidades de integração nas futuras cadeias de fornecimento", alerta o coordenador do ProAero3D na UNIPS.
Os resultados obtidos poderão servir de base ao desenvolvimento de novos projetos de investigação e aplicações industriais, tanto na aeronáutica como noutros setores que utilizem componentes produzidos por impressão 3D.