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As medidas de confinamento implementadas a nível mundial, para combater a propagação da COVID-19, pode custar €2,2 mil milhões ao comércio internacional de mercadorias.

Isso equivale a uma subida de 11% para 17% nas tarifas à importação por parte de todos os países, estima a Euler Hermes, acionista da COSEC – Companhia de Seguro de Créditos.

De acordo com o estudo “COVID-19 losses equivalent to a return of 1994 tariffs”, mesmo após o fim do confinamento, as diferentes regras adoptadas entre os vários Estados sobre a circulação de bens, serviços e pessoas pode gerar incerteza, assimetria de informação e uma sobrecarga regulatória sobre as empresas.

Analise de dados

O comércio poderá, mesmo após o fim do confinamento, permanecer abaixo de 90% do que se registava antes da crise.

No entanto, o estudo indica que a recuperação acontecerá no segundo semestre deste ano, na sequência da retoma da atividade no setor industrial, e durante 2021, crescendo +10% em volume e +15% em valor.

Vários setores em risco de pressões inflacionistas

Os setores que exportam produtos de alto valor acrescentado e são mais sensíveis a interrupções na cadeia de fornecimento, correrem o risco de sofrer aumento de preços. É o caso da informática, eletrónica, dos metais e da indústria mineira, dos transportes, do equipamento elétrico e dos têxteis.

Em termos de países, correm maior risco as empresas que operam na China, nos Estados Unidos da América, na Alemanha, em França, na Irlanda, Bélgica, Holanda e Luxemburgo.

Aumento do protecionismo

Os economistas da Euler Hermes alertam ainda para o regresso de um risco que o comércio internacional enfrentava antes do surgimento da pandemia: o aumento do protecionismo.

A adoção destas políticas por parte dos Estados pode recriar a incerteza vivida em 2019 e prejudicar a recuperação do investimento, intensificando-se à medida que se agravam tensões entre os EUA e a China.

O protecionismo tem sido evidente, por exemplo, nos produtos relacionados com a Covid-19. Os dados revelam um nível recorde de novas restrições à exportação de produtos médicos, farmacêuticos e de equipamento de proteção por parte de muitos países.

No total, foram aplicadas mais de 80 novas medidas protecionistas a estes produtos em 2020 em todo o mundo – um recorde, e que equivale a 2,5 vezes o total de medidas implementadas em todo o ano de 2019.

O estudo calcula que, só em 2020, os bloqueios às exportações possam reduzir o comércio de produtos Covid-19 em €27 mil milhões.

Os economistas alertam ainda para o impacto que estas políticas protecionistas podem ter no agravamento da crise sanitária nos países em desenvolvimento. O Brasil, a Argentina e a Argélia, seguidos da África do Sul, Marrocos, Indonésia, Colômbia, Malásia, México e Chile, são países cujas importações de produtos relacionados com a crise sanitária da Covid-19 estão fortemente concentradas em três principais parceiros e onde as tarifas sobre esses produtos são mais elevadas em relação ao resto do mundo.

A COSEC é uma seguradora nos ramos do seguro de créditos e caução. A Companha é, desde a sua constituição, em 1969, responsável pela gestão do Sistema de Seguro de Créditos com Garantia do Estado português, para apoiar as empresas na sua exportação e internacionalização para países de risco político agravado.